Saturday, March 26, 2011

MINHA FILOSOFIA E O MEIO


O HOMEM E O MEIO

Sempre gostei de filosofia. Depois de ter lido muitos bons autores, Sócrates, Platão, Aristóteles, Nietzsche, kafa, sobre sua filosofia, cheguei á minha própria filosofia.
Ela não é copiada, nem é inventada por ninguém é tão-somente a conclusão a que cheguei sobre as classes sociais, sua ascensão e os meios que as servem.
A sociedade é composta por três bases. Todas elas, estão interligadas.
1ª, Classe social alta, 2ª Classe media, 3ª Classe baixa

Classe alta – Pessoas ricas, que vivem sem problemas financeiros. Todos com cursos ligado á gestão. Por norma nascem já com direitos adquiridos. Sua riqueza vem de heranças de família, negócios, negociatas.
Esta classe social entra no mercado de trabalho já como gestores de empresas, com tudo a que o se estatuto lhes dá direito. Salvo raras excepções, claro!!
- Gabinete adequado á sua posição.
Mobiliário de estilo, com Mesas, cadeiras, sofás, quadros, tudo de designer.
- Vivem e movimentam-se dentro da mesma classe.
Sua riqueza, dá-lhe acesso a belas mulheres, muitas delas sem instrução, que lhes passam pelas camas dos hotéis e clubes de luxo. Mesmo que muitos deles sejam impotentes, faz bem ao ego, serem vistos ao lado duma beldade jovem, com idade para serem filhas, ou até mesmo netas. Mesmo tendo a noção, de que estão a ser utilizados, pelas suas influências e riqueza.
Quando essas jovens se convencem, que só chegam á sua riqueza pelo casamento, então lá estão elas, com toda a sua sedução, até os conseguirem levar ao altar. Enquanto não conseguem o que querem, vão-se divertindo com o dinheiro deles. Divertem-se com amantes jovens, a quem pagam todas as mordomias, com o dinheiro do velho engatado. Quando elas já conseguiram o que querem, dão-lhes um pontapé no rabo, enviam-nos de volta para as esposas.
Elas as “pequenas” vão então desfrutar a vida, com jovens mais novos que passam a fazer o mesmo papel que elas já desempenharam.
Existem também mulheres jovens inteligentes que se aproveitam para subirem na carreira, afinal só querem endireitar a vida através do ego desses homens bem sucedidos nos negócios mas frustrados como pessoas. Esses nunca se apercebem que sem dinheiro nada valem, levam uma vida triste sem criar raízes nem com a família nem com as outras, porque a família quando descobre seus amores e desfalques secretos, põem-no fora do clã, as outras já conseguiram o que queriam deles, tratam-no por velho, outras por respeito por avozinho, tem que ir á sua vida… Muitos deles acabam por suicidar ou passar a pasta a um descendente seu tão ambicioso como ele e o círculo irá continuar…
Perante a lei sentem-se impunes e utilizam o provérbio bem português. “Públicas virtudes, vícios privados” Muitos deles, com filhos jovens, sem referencias para lhes dar. São pais ausentes, sempre ocupados com reuniões e negociatas, nada tem que justificar desde que o dinheiro jorre na família para satisfazer todos os seus vícios. Para suas mulheres e filhas serão, as viagens, roupa, jóias, amantes que sustentam. Para os homens, será a droga, o álcool, viagens, aventuras radicais, mulheres bonitas e toda a gama de vícios que o dinheiro trás.
- Pertencem todos ao mesmo clube. Todos medem sua riqueza pelo cumprimento dos seus barcos.
- No ambiente laboral todos têm os mesmos direitos
- Secretária, jovem culta, atraente, liberal
- Fatos Armani, Hugo Boss, sapatos e gravata italiana.
- Carro topo de gama
- Cartões de crédito sem plafond definido.
- Despesas todas pagas, quando em serviço. Incluindo almoços com amantes secretas.     
  Mesmo com a própria família, conforme a conveniência do negócio que esteja em cima da 
  Mesa.
- Subsídios para tudo, até para aquilo a que não têm direito.
- Acumulam riqueza, status e só se movimentam no seu meio.
- Tem como hobby frequentar clubes nocturnos privados, alegando estar em reuniões.
- Casam com pessoas do mesmo nível, por interesse, com contratos nupciais. Nunca se separam. Tentam nunca decepcionar a família, mantendo assim um casamento de fachada, que não convence ninguém, mas conseguem manter os interesses financeiros fora do casamento.
Conclusão: criam a sua riqueza, através da classe social média, que tiraram seus cursos com mérito próprio e passam a produzir riqueza para a classe alta. Isto dentro do mercado de trabalho.
Depois existe o aspecto privado. Vivem em luxuosas mansões que para as manterem, recorrem então á classe mais baixa.
Começando pelo motorista, que por norma tem os estudos obrigatórios não mais. São pessoas fiéis, discretas, que entram no mundo dos segredos dos seus patrões e tudo fazem para satisfazerem seus caprichos até os mais secretos.
Vem a seguir a cozinheira, pode ser branca ou negra, desde que saiba cozinhar e o ordenado não ultrapasse o ordenado mínimo. Neste caso já não interessam as habilitações, desde que a pessoas satisfaça os requisitos, que é saber satisfazer o paladar apurado da raça da classe a que servem. Mesmo que sejam racistas, isso pouco importa desde que a pessoa ande limpa e use uniforme, para dar mais classe ao ambiente. Basta que não lhes dirijam a palavra, para isso tem uma governanta, que por norma é branca e já tem como requisito, ser educada, ter alguma formação na área, e alguma instrução. Tudo passa pela governanta. É ela que dá, as instruções para os demais. Tudo  passa através dela. Ela na ausência dos patrões pode ter tanto poder dentro da mansão que pode despedir ou contratar alguém sem dar conhecimento aos patrões, eles delegam nela, esses aborrecimentos com os quais não tem que se preocupar.
Vem a seguir as amas dos filhos. Enquanto os progenitores trabalham, entregam seus bens mais preciosos, muita vez, a pessoas que os maltratam, outras vezes a pessoas que não sabem falar a nossa língua, outras vezes a pessoas que vem de famílias desfeitas, sem qualquer aptidão, para tratarem de seres em crescimento, que deveriam ter pessoas afectivas, cultas, com carácter, para lhes poderem transmitir, valores que os pais delegaram nelas.
Existe no entanto outro extremo, em que são depositados desde muito jovens em colégios internos, bem pagos, com a desculpa de que é para o bem deles. Assim se vêem livres dos fedelhos, ficando livres da responsabilidade da sua paternidade. Não criando laços efectivos, com os filhos fazem deles criaturas racionais, sem emoções, que muita vez os leva ao suicídio, á droga e a outros vícios. A seguir, entram noutra etapa, esses jovens que poderiam ser seres completos se criassem empatia para com os seus semelhantes. Gastam rios de dinheiro em terapias.
Por fim vem uma camada de gente que os serve com submissão, obedecem-lhe, mas não os respeitam:
Empregadas de limpeza
Empregadas de mesa
Porteiro
Capataz da quinta onde fazem as suas colheitas de vinho privadas
Operários assalariados, que trabalham a terra.
No fundo alimentam-se da riqueza produzida pelas classes mais baixas. São pessoas que não sabem os nomes dos seus trabalhadores o que lhes interessa é que tudo funcione e os resultados cheguem às suas fortunas para alimentarem seus egos.
Assim sendo. Rodeiam-se das classes abaixo da sua e são obrigados a conviver com elas dentro de casa, que lhes põe a comida feita com mãos que noutras circunstâncias teriam nojo delas e não lhes dariam num aperto de mão. Outro aspecto para mim bastante interessante, são as empregadas de limpeza que tratam das suas roupas, para seu brilho pessoal, também são elas que fazem suas camas e detectam nos seus lençóis seus fluidos corporais.
Tudo o que tem de mais íntimo no corpo humano é assim exposto a classes que eles não querem pertencer, a não ser em algum caso especial que haja um deles que derive e tome o exemplo de santo agostinho, que deixou uma vida confortável na casa materna para seguir a vida dos pobres e poder saber, como se vive noutras esferas. Mas casos destes, se existem andam ocultos, nunca ouvi falar.

Vamos agora para a classe média
Normalmente são filhos de médicos, advogados, arquitectos, juízes, professores, comerciantes, políticos, autarcas, dirigentes futebolistas,
Estes, normalmente incentivados pelo país, têm que ter uma ocupação, se possível que possam vir a ter uma vida melhor que os pais e não importa como. A família deverá orgulhar-se dos seus filhos, os pais querem sempre para os filhos uma vida melhor que a deles. Assim abraçam profissões iguais á dos pais. Tornam-se muitas vezes profissionais, por vontade dos pais e não por vocação. Noutros casos procuram cursos que lhes dê acesso á fama e fortuna rápida, salvo um ou outro, que indo contra a vontade familiar, muitas vezes são expulsos por terem a ousadia de confrontar o poder instituído. Esses lutam pelo seu lugar ao sol e acabam por ser pessoas ambiciosas. Trabalham para as classes altas, vão subindo, e aos poucos até sobem de classe social e esquecem a sua própria classe, as dos seus progenitores.
Embora esta classe média, seja já educada e acompanhada, um pouco mais por os pais e restante família. Frequentam bons colégios, e ficam preparados, quer culturalmente, quer profissionalmente para a vida…
Mas também estes não conseguem fugir da base das classes. Movimentam-se entre as duas classes. A alta que lhes dá trabalho e prestigio, a baixa que os matem e sustenta.
Em casa os que podem, funcionam como os da classe alta expõe os seus segredos familiares a pessoas estranhas que lhe tomam conta da casa da vida e dos segredos. Só que não precisão de um séquito tão grande para viverem bem. Eles próprios conduzem seus carros. A empregada de limpeza, só vai uma a duas vezes por semana, as cozinheiras dispensam-na.
Eles fazem muita vez sua própria comida e outras vezes vão comprar feita. Como vem de famílias mais estruturadas tem outros valores familiares e conseguem mover-se bem entre as duas classes.
A classe média está sempre ligada ao poder político, e tiram o melhor partido dela e podem até ascenderem a nível partidário. Tudo o que fazem é segredo até que um dia alguém surge do nada com demonstrações exteriores de riqueza que os ofusca e podem de repente descer tanto, que se podem até inserir na classe baixa.
Vamos lá, agora á classe baixa
Esta é a base que suporta tudo.
O suporte do qual todos precisam. È o pilar da economia e dela depende os governos e as nações do mundo.
Não existiriam sociedades na conjectura que actualmente conhecemos sem a classe mais baixa conhecida como (POVO). È esta classe que trabalha na industria, nos serviços, e na agricultura, que sustenta toda a humanidade. Sem esses trabalhadores as outras classes morreriam de fome. Mas como entender então, que ela seja tão desprotegida e maltratada. O que falta aqui neste conjunto de observações? A educação! A base fundamental de um povo, que deseja erguer-se, tornar-se numa nação poderosa, onde não haja tanta diferença social.
Está provado que qualquer país, onde exista uma boa educação, tem membros na sua sociedade, mais pacíficos e tolerante, por esse meio, existe menos violência. O mundo está cheio de exemplos. Existe então aqui uma lacuna, nesta sociedade perdida no meio de classes. Faltam então pessoas, altruístas que ponham seus interesses pessoais de lado e se dediquem a dar sentido á sua vida, ensinando. Mas para isso, tem que se começar nas escolas, onde os alunos já chegam de famílias desfeitas, violentas e com todos os exemplos para o vandalismo. Qual a solução? Reinventar uma nova sociedade? Alterar formas de pensar, e costumes milenares, que condenam uns e elevam outros, á posição de deuses, em que tudo lhes é permitido, mas que de santos não tem nada!
Meu raciocínio lógico, leva-me a pensar que o ser humano, ou quem criou, esta base de classes, nas quais ninguém quer mexer, por medo de perder mordomias, ou simplesmente porque não sabem fazer melhor. Ainda não descobriram, todos estes senhores do mundo, que sua vida é uma utopia. O mundo não lhes pertence. Por um lado. Mas pelo outro, levam-nos a pensar que são reis e senhores da terra.
A fragilidade humana para uns, leva-os a serem imortais nem que seja á custa da vida de muitos. Mas o que acontece a estes senhores do mundo se lhes falta apoio, os capangas que são pagos para os protegerem, porque fisicamente são tão frágeis como qualquer outro ser. Qualquer doença os derruba. Uma simples gripe leva-os á cama. Porque insistem homens velhos e ricos sem precisarem de trabalhar a manterem-se em governos caducos, condenando toda uma geração, gerida por homens velhos em que as células do seu corpo, estão já morrendo. Com que força e direito, se agarram eles, a um poder na base do ego e não conseguem viver em paz e harmonia, dando o lugar a outros mais competentes.
Será que é necessária uma catástrofe mundial? Para se mudarem hábitos corruptos e se criarem novas sociedades mais fraternais, em que todos tenhamos o direito ao trabalho á criação de riqueza e igualdade.
Dizem que o homem, foi criado á imagem de deus! Eu não acredito que o criador, se tenha dado ao trabalho de criar seres como estes, que governam o Planeta
Por outro lado, acredito noutras filosofias! Para essas encontro, com mais facilidade, uma justificação, para tudo que está acontecer á minha volta….
E por hoje mais não digo!

Por: joaquina
25/03/2011

Thursday, March 17, 2011

3º EPISÓDIO DE ERROS MÉDICOS


 
COM MINHA FILHA ÚNICA
Depois de dois erros médicos gravíssimos, tive que enfrentar mais uma revolução dentro de mim.
Mas não perdi a coragem, nem a alegria de viver.
Enfrentei muitos desafios, o mais difícil de todos, foi quando minha filha com 16 anos, sofreu novo diagnóstico errado.
Nesse dia tinha trabalhado todo o dia. Ela estava, numa colónia de férias, chama ACM (Associação cristã da Mocidade) em Foz do Arouce, perto da Guarda.
Eram 8 horas da noite estava eu com a mesa posta para jantar, quando recebo o telefonema mais cruel e difícil de toda a minha vida.
Depois de se certificarem que eu era a mãe, apenas me disseram que tinha que ir buscar minha filha, teria que ser internada com urgência em Lisboa. Estávamos no ano de 1991.
Nada perguntei. Já não jantamos, e fomos eu e Jamm angustiados sem saber o que pensar e não sabendo, até ali, o que se tinha passado.
Chegamos a Foz do Arouce às 2 horas da manhã. Tentei inteirar-me da situação que viria a revelar-se um caso de vida ou morte.
O que tinha acontecido era tão grave que naquele momento minha filha estava paralisada do pescoço para baixo.
Afinal o que tinha acontecido?
Três dias atrás, ela mais o grupo onde estava inserida, tinha feito uma caminhada nocturna. No dia a seguir á caminhada sem dormir foram para uma piscina todo o dia. Quando chegou á colónia, foi-se deitar sem comer.
Segundo dia: Estava cansada e ficou a dormir. Sendo uma Colónia de férias só com miúdos, ninguém ligou muito ao caso. No segundo dia como ela não se levantava foram chamá-la para ir comer.
No terceiro dia: já não se levantou. Aí já estava com febre e já não se levantou por não ter forças.
Imediatamente os responsáveis, levaram-na ao hospital da guarda.
Diagnóstico: cansaço..
Deram-lhe uma injecção para dormir. Dormiu o dia todo. Já dois dias que não se alimentavam, mais preocupados os responsáveis, voltaram com ela ao hospital.
Quarto dia: Novo diagnóstico: Febre tifóide. Deveria ir imediatamente para um hospital em Lisboa.
Quinto dia: De volta a Lisboa com ela deitada no banco de trás, nós sem comer e sem dormir mais a preocupação, despistamo-nos. Mas o nosso anjo da guarda estava por perto. Eram então 5horas da manha e não passava um único carro… Não sei onde fui buscar tanta força para ajudar o carro a voltar á estrada. Minha filha só dizia: - mãe eu não vou morrer, pois não!!
Chegamos ao hospital dos Capuchos às 7 horas da manhã. Ali dei entrada com minha filha nos braços, que já não conseguia andar. Depois das burocracias normais, deitaram-na numa cama… durante meia hora passaram vários médicos por ela, olhavam para a ficha e não diziam nada. Comecei a ficar mais aflita. Por volta das 7h30, vi passar um vulto no corredor, dirigi-me a ele e perguntei: - o Sr. é médico? – Sou, mas ainda não entrei ao serviço, só entro às 8h00. - Por favor, tenho minha filha aqui numa cama á uma hora, já passaram por aqui vários médicos e ninguém me diz nada… Pode por favor vir vê-la? Segui-me até ela. Falou uns dois minutos com ela e disse.. Já esperas-te tanto, espera só mais 10 minutos. Vou só vestir a bata e comer qualquer coisa, prometo que não demoro… confia em mim!! – Ela respondeu: sim Dr. Como esses de 10 minutos me pareceram séculos. Mas o Dr. Coimbra, apareceu mesmo passados os dez minutos.
Viu a ficha, fez-lhe várias perguntas e olhou para ela, acalmou-a. Vais ficar bem. Vou internar imediatamente sua filha. Vai precisar de fazer muitos exames, embora eu tenho quase a certeza que o que ela tem é: “sindrome de Guillain- Barré”.
A senhora espere nesta sala, que eu já venho falar consigo.
Esperei durante duas horas. Meu coração de mãe, dizia-me que algo de muito mau, estava acontecer e ninguém tinha coragem para me dizer.
Passadas essa duas horas chegou o Dr. Coimbra um jovem médico com uns 30 anos de idade.
Temos muito que falar. A sua filha não morreu porque não tinha que ser.
Ela tem uma doença chamada síndrome de GUILLAIN-BARRÉ. A sorte dela foi eu ter feito o mestrado sobre o estudo da doença e consegui fazer logo o diagnóstico. Se fosse com outro colega andaria aqui de exame em exame e não sei o que teria acontecido. Ela já está a fazer exames.
Vai levar umas 2 a 3 semanas até se confirmar o resultado através de uma punção lombar. Fez tudo desde poções lombares, analises rx e tudo o mais…

O que tinha acontecido afinal e como apanhou ela a doença? – Perguntei eu aflita… segundo informação do médico. Todos nós nascemos com uma possibilidade latente de um dia podermos activar um vírus que faz um infecção e é apenas sintomática. Actua a vários níveis desde atrofia muscular até a mote por asfixiamento. No caso da minha filha foi um vírus que fez uma infecção a nível da espinal medula, que actuou através da

Bainha da Mielina – o que é?

A mielina, a substância que envolve a maioria das fibras nervosas, acelera a transmissão dos impulsos nervosos a outras partes do corpo. A perda de mielina pode reduzir ou mesmo impedir estes impulsos, conduzindo ao aparecimento de vários sintomas.
As células nervosas transmitem impulsos
As células nervosas têm fibras longas, finas e flexíveis para a transmissão de impulsos. Os impulsos são sinais eléctricos que são transmitidos ao longo dos nervos. O seu comprimento permite às fibras nervosas a transmissão de impulsos entre partes distantes do corpo, por exemplo, entre a espinal-medula e os músculos da perna. Os nervos transportam mensagens entre diferentes partes do corpo.
A mielina acelera a transmissão de impulsos
As maiorias das fibras nervosas são envolvidas e isoladas por uma camada de gordura chamada mielina. Esta substância acelera a transmissão dos impulsos. Em determinados intervalos, a camada de mielina tem interrupções ou constrições nos chamados nódulos de Ranvier.
O impulso salta de nódulo para nódulo, o que torna a transmissão mais rápida do que se o impulso tivesse de viajar ao longo de todo o comprimento da fibra nervosa. A mielina das fibras nervosas pode ajudar a transmitir um sinal com uma velocidade superior a 100 metros por segundo, i.e. tão rápido como um carro de corrida.
A perda de mielina conduz a uma grande variedade de sintomas
Se a fibra de mielina que envolve as fibras nervosas for danificada ou destruída, os impulsos nervosos ficam mais lentos, ou não são transmitidos de todo. O impulso é agora transmitido ao longo da totalidade da fibra nervosa, o que demora muito mais tempo do que se tivesse que saltar de nódulo para nódulo.

Uma perda de mielina também pode conduzir a curto-circuitos ou bloqueios da transmissão dos impulsos nervosos. Uma região na qual se vê claramente a mielina destruída é chamada uma lesão ou placa.

Os impulsos nervosos transmitidos com uma velocidade reduzida ou completamente bloqueados pelas lesões conduzem a uma grande variedade de sintomas, que são uma expressão da alteração da actividade funcional do sistema nervoso. Incluem alterações sensoriais (tais como uma visão distorcida), dificuldades de coordenação, problemas de marcha e dificuldades com as funções corporais. (ex. controlo insuficiente da bexiga).
FIM DA EXPLICAÇÃO
Ela esteve com injecções para dormir se lhe atacasse os pulmões teria morrido enquanto dormia.
No caso dela, a lesão foi pequena e local, a nível da espinal medula. Como não tem cura ela é sintomática e a recuperação possível só pode ser feita com fisioterapia.
No caso dela ficou com atrofiamento muscular nos membros superiores e inferiores.
Na perna direita, hoje tem menos 4 cm de diâmetro. A perna esquerda ficou hipersensível ao toque. Na perna direita perdeu a sensibilidade desde o peito até á ponta dos dedos do pé. Pode cortar-se, pisar qualquer coisa, não dá por isso. O lado esquerdo ficou com espasmos dolorosos aquando do sistema nervoso alterado. O braço direito ficou também atrofiado e sem força. O braço esquerdo não foi afectado… No momento alto da doença, só podia mexer o pescoço. Esteve internada, durante dois meses. Durante esse tempo fui todos os dias, desde lava-la a fazer a comida e dar-lhe de comer, ela tinha vergonha e não deixava ninguém tocar-lhe. Começou ainda no hospital a fazer fisioterapia todos os dias.
Eu e Jamm aprendemos os exercícios e todos os dias um ou outro lhe ia fazer fisioterapia. Ao fim de um mês ela ainda não se segurava em pé.
Até que um dia quis ir á casa de banho, ia sempre de cadeira de rodas.
Eu, disse-lhe: - levanta-te da cadeira e agarra-te a mim hoje tu vais conseguir andar. Primeiro, a medo e a chorar dizia que não conseguia, mas depois de insistir com ela, levantou-se da cadeira e começou a dar os primeiros passos. Não consigo descrever a emoção que senti ao ver minha filha novamente a andar. O pai nessa semana estava fora. Durante toda a semana treinou o andar aos poucos, até conseguir andar sem ajuda.
Quando o pai a foi visitar, estava ela sentada na cadeira, antes dele se aproximar, gritou-lhe: - para! Ele parou. Levantou-se da cadeira e andou não mais que uns 2 metros sozinha até chegar ao pai que já teve que a amparar para não cair. Nunca vi meu marido chorar durante 40 anos, mas nesse dia ele chorou como uma criança. – Então pai, isto era para te surpreender e dar-te alegria! Como vês estou novamente a começar a andar. Graças a Deus esse dia foi o começo da sua recuperação…
Fez fisioterapia intensiva durante 2 anos. Todos os médicos duvidaram que ela pudesse fazer a vida dela normal. O prognóstico não era nada bom. Uma jovem com 16 anos, a passar pela crise da adolescência excelente aluna, nunca perdeu nenhum ano. Entrou na faculdade, foi a melhor aluna do curso dela. Recebeu do estado uma compensação monetária, pela nota atingida como a mais alta do curso.
Depois do curso, não consegui emprego na área dela, ainda passou por grandes desilusões, e como todo o espírito que veio para não se acomodar, ela não se acomodou.
Como isto lhe aconteceu nas férias, não queria que na escola ninguém soubesse do que lhe tinha acontecido? Mas como esconder semelhante coisa se ela arrastava a perna direita. Lá estive eu e o pai com todo o amor e compreensão para lhe fazer ver que isso seria impossível.
O pai chamou a ele a responsabilidade de a recuperar fisicamente a mim coube-me a missão de a recuperar a nível psicológico. Ela confiava em mim. Eu nunca lhe mentia. Nossa relação era muito aberta, ainda hoje continua assim e pude falar com ela de tudo. Lá consegui que assumisse seu problema. Acompanhei-a durante dois anos á fisioterapia sempre estive a seu lado. Durante as nossas férias, o pai mandou-lhe fazer uma bicicleta especial para obrigar a ganhar força nas mãos. Durante um mês de férias ela andava de bicicleta o dia inteiro ou nadava o dia inteiro, foi preciso muito estimulo e amor ao ponto de ela entender que tinha que dar tudo por tudo para ficar bem. Fazia-mos férias na Europa, o que facilitava mais o esforço. Tudo era novidade para ela. Passava dias inteiros em parques aquáticos com o pai, a nadar, só para fazer exercício. Chegamos á conclusão que ela recuperava mais num mês de ferias connosco do que num ano de fisioterapia. Pelo parecer médico ela deveria continuar na fisioterapia. Quando ela quis desistir deram-na 80 por cento recuperada. Ficou curada psicologicamente mas a nível físico, ficaram as sequelas.
Hoje, é uma mulher adulta com 36 anos, tirou o seu curso, vive e trabalha fora do País. Esqueceu toda a tragédia, viaja pelo mundo, sem qualquer problema. Enfim é uma mulher deste tempo. Mas o trauma sobre doenças, esse ficou. Qualquer coisa que lhe aconteça, liga primeiro para mim antes de ir ao médico.
Por: Joaquina
17/03/2011



Wednesday, March 2, 2011

MEU REGRESSO Á VIDA - 2ª PARTE



EU COM 23 ANOS
NÃO SABIA, QUE AOS 33 IRIA PASSAR POR UMA MENOPAUSA PRECOÇE
Meu regresso á vida - 2ª Parte 
Continuando minha epopeia com os erros da medicina no meu corpo.
Depois de sair de oncologia e esclarecer com o laboratório o eu se tinha passado comigo e depois de terem chegado á brilhante conclusão, que eu tinha recebido o diagnóstico de uma pessoa que tinha carcinoma, e depois de eu ter passado por toda uma terapêutica apressada, para me salvarem, ficaram mais ou menos á vontade com a descoberta. Eu fiquei preocupada e com pena da pessoa que tinha recebido o meu diagnóstico, a dizer que não tinha nada. Depois de tanto sofrer e tanta confusão na minha cabeça não me atrevi a indagar se a pessoa teria morrido ou estaria de alguma maneira a ser tratada. Ainda hoje lamento não ter dinheiro para processar toda aquela gente que levou este caso com uma frieza como que aquilo se passasse num qualquer país longínquo e a notícia chegasse pela televisão sendo só mais uma no meio de tantas…

Eu cansada de tudo aquilo e enrolada no processo clínico, para não me deixarem parar os ovários. Andei nisto 6 meses.
Azar dos azares, a minha ginecologista não me pode seguir por ter o marido também com cancro e tinha que ir para Londres com ele. Escreveu uma carta e enviou-me para uma colega, pondo-a a par da minha situação. Nessa altura deveria estar já a levar tratamento hormonal para não deixar parar os ovários, mas como era muito competente e sem tempo para mim, mandou-me para endocrinologia, a fim de me fazerem exames para saber até que ponto eles estavam ainda a funcionar os ovários.

Meu medico nessa especialidade era um bom médico já com uma certa idade, teve muita pena do que me tinha acontecido e deu a devida atenção ao meu caso, fazendo-me exames a tudo dentro da sua especialidade. Quando os resultados vieram, descobriram que meus ovários estavam a funcionar um a 16 por cento outro a 20, e não seria possível voltarem a funcionar, porque o valor mínimo para eles voltarem a funcionar seria 40 por cento em ambos.

Sai do medico, medicada para hipotiroidismo, que acabava de me descobrir e uma carta de recomendação para a médica para me fazer a terapêutica hormonal.
Foi o princípio do fim para mim. Perdi todas as esperanças de ter mais um filho que tantos desejávamos, aliado a isso continuava com minha vida normal como que nada me tivesse acontecido. Só que nem mesmo minha vida preenchida me ajudou a ultrapassar todo as aquelas alterações físicas que eu sentia e tentava ultrapassar.

Claro que a médica me começou a fazer a terapêutica hormonal, com discos e outras coisas das quais já nem me lembro. Quando dei comigo passado um ano já tomava 14 comprimidos por dia, para tudo mais alguma coisa. Minha relação pessoal ressentiu-se muito. Eu sem paciência para a filha e o jamm e ele não compreendia nem eu porque meu corpo não correspondia a estímulos que sempre reagira. Na cabeça dele eu teria que ter outra pessoa, na minha cabeça ele estava sem paciência comigo porque ele teria outra pessoa também. Ele na altura era chefe de um departamento onde trabalhavam mulheres jovens e bonitas, na minha cabeça, ele andaria envolvido com alguém, no entanto ele nunca dormiu fora de casa e os fins-de-semana eram sagrados e passados em família. Ele abdicou da vida social que poderia ter tido para estar comigo e com a filha e foi nessa altura que mais unidos estávamos como família. Começamos por ensinar a filha a gostar da vida ao ar livre, fazíamos piqueniques todas as semanas e isso conseguimos incutir no espírito da filha o gosto e respeito pela natureza.

As coisas com todos esses comprimidos começaram a normalizar com o jamm aceitar uma nova mulher daquela que ele conhecia e a ter mais paciência comigo, delegando para ele muitas das tarefas da casa e da filha.

Mas como um azar nunca vem só, um dia voltei a ver que me saía do mamilo um liquido esbranquiçado, mas depressa me lembrei do que o médico de endocrinologia me disse que os problemas da tiróide tem uma ligação com os peitos, logo marquei consulta para ele. Quando cheguei á consulta, avisaram-me que o meu medico Dr. Eurico M, não poderia vir dar consultas, mas se eu não me importasse que estava o assistente dele a dar consulta a quem quisesse ser por ele consultado.

Depois de todos os azares a que tinha sido acometida, saiu-me a sorte grande. Aceitei que ele me desse a consulta, foi a melhor coisa que me aconteceu durante esse período de instabilidade e azar. Quando lhe contei o meu historial clínico ele ficou horrorizado. Era um jovem médico, acabado de sair da faculdade de Medicina, chama-se Dr. Rui Mascarenhas, ainda hoje é meu médico passado 27 anos
O Dr., Eurico M hoje, já falecido, foi o Dr. Rui M que ficou a substitui-lo. Hoje Dr. Rui M é director no hospital Egas Moniz
Naquele ano de 1983, ficou inteiramente do meu lado e tudo fez para me ajudar a ultrapassar essa fase.
Deparando-se com a mesma queixa que me levou inicialmente a oncologia, resolveu mandar-me fazer um tac ao Cérbero. Assim com mais um problema que eu esperava não fosse nada, fiz o exame na clínica de todos os santos.
DIAGNÓSTICO: Tumor no Cérbero, inoperavel. O que queria dizer, que com o tempo começaria a perder o equilíbrio, falta de visão, perda de memoria, parte motora, até chegar a uma cadeira de rodas, mais tarde o final numa cama.
Mais uma vez o mundo desapareceu debaixo dos meus pés. Eu tinha e ainda tenho a filosofia que tenho o direito a ver os resultados dos meus exames, porque eles dizem respeito ao meu corpo e ninguém melhor do que eu para lutar contra qualquer inimigo. Quando cheguei á consulta o Dr. Até ficou branco. Leu e releu o relatório e de vez em quando olhava para mim, até que a certa altura disse: - A senhora não devia ter aberto o envelope, estes resultados para informação do médico e não do doente. Primeiro confronto entre ambos. – Pois fique sabendo Dr. Que eu penso ao contrário. Sou inteligente e tenho todo o direito em saber o que se passa comigo. _ Tem sim. Isso é verdade, mas imagine que isto é novamente um engano fica a sofrer sem necessidade. Mas perante este diagnostico e se não tivesse já tido um engano clínico eu internava-a já, nem ia para casa, mas como já sofreu um engano vou-lhe mandar repetir este exame no hospital da cruz vermelha. Voltei a repetir o exame. Enquanto esperava minha vida tornou-se num inferno, entre ter ou não ter o tumor, e achar que dois erros comigo seriam demais. Perdi o apetite, o sono, a tranquilidade, a paciência. Quando chegou o resultado era negativo. Upa que alivio.
O médico ficou indignado com os meus erros clínicos. – A senhora tem mesmo azar outro médico, internava-a e não sei o que teria acontecido. Diga-me se quer levar esses gajos todos a tribunal eu sou sua testemunha. Se vivesse na América ficaria tão rica, que não precisaria mais de trabalhar, aqui neste Pais ninguém se responsabiliza por nada. O mal que lhe fizeram ao seu corpo, só a senhora o sentirá. Neste momento o susto já passou, mas quero que vá ter comigo ao hospital Egas Moniz dia tantos???? Vai haver lá um congresso com os melhores médicos europeus, no qual eu estou presente quero que apareça lá ás 10 hoo com este cartão meu, leve os dois exames que eu vou pedir mas meus colegas verem os dois exames e não restar a mínima duvida de que tudo está bem. Assim aconteceu, no dia e hora marcada lá estava eu. Quando perguntei pelo Dr. Logo uma senhora de nariz empinado que nada sabia da minha história nem o que se passava dentro da minha alma me respondeu. – O Dr. Não a pode atender, ele está num congresso, por isso pode ir embora e voltar amanhã. Levantei-me com uma rapidez como que sentisse uma espada entrar-me nas entranhas. – Minha senhora está aqui um cartão do Dr., e foi ele que me mandou vir cá hoje e sei muito bem que ele está num congresso, por isso levante o cu dessa cadeira e vá com este cartão dizer-lhe que eu estou aqui. Entendeu, ou quer que lhe repita. – Acalme-se, as ordens que tenho é para não interromper a reunião. Mas neste caso vá lá e interrompa antes que eu comece a partir esta merda toda. Levantou-se com tal rapidez, com os olhos esbugalhados, não habituada que lhe fizessem frente. Estaria habituada ao contrário, ao por favor, veja lá se é possível, tudo dentro da submissão de quem está aflito e apela ao bom humor do dia dos nossos funcionários da saúde sem o mínimo respeito pelos direitos dos que sofrem. Passados não mais de 5 minutos aparece a tal senhora vermelha de raiva. Encaminhou-me ao gabinete do Dr. E disse apenas: - aguarde um pouco ele já vem falar consigo. Não sei o tempo que esperei porque minha mente durante esse tempo do qual perdi a noção divagou por muitos lugares onde já tinha estado mas em especial na minha família, em mim. – Olá desculpe a demora. Estamos agora na hora do café, dê-me os seus exames que temos agora uns 15 minutos e vou velos novamente com meus colegas, para que não restem dúvidas. Fique aqui mais um pouco que eu já venho… Novamente o tempo passou e eu perdi novamente a noção desta vez mais preocupada, pensando que tinham encontrado algo e que afinal não seria engano. Lembrei-me de rezar. Lembrei dos anos em que ia á catequese na minha aldeia, dos valores que meu avo me incutira, a espera dilui-se no tempo e eu dilui-me nele até que por fim num acto de desespero comecei a chorar. Estava eu neste desespero quando a tal senhora veio ao gabinete do Dr. E me viu naquele pranto. Só se atreveu a dizer. – Desculpe, mas o Dr. deve ter-se esquecido de sí o melhor é ir embora. Novamente levantei-me daquele pranto que depressa deu azo a um a indignação, que a própria funcionaria não entendia. Habituada a ver pessoas a sofrer e a morrer naquele hospital de repente dá de frente com uma jovem de 1,55 de altura com 43 quilos, que a enfrentava sem medo. Eu não saio daqui, enquanto o Dr. não me disser o que vim aqui fazer. Naquele momento entra o medico com os meus dois exames, com um sorriso nos lábios. – Acalme-se. Está tudo bem. Eu esqueci-me de si, desculpe faze-la esperar tanto tempo. – Afinal há quanto tempo estou aqui á sua espera que eu perdi a noção do tempo dr. – 2 Horas, mas valeu a pena. Afinal o que eu tenho, diga lá. _ Peço-lhe desculpa pela parte médica que já errou muito consigo, mas o que aconteceu foi que o exame que fez não clínica de todos os santos tinha uma manha na película que foi interpretada como uma massa ocupando espaço. Está no seu direito ir lá e contar a sua história, até pedir satisfações e até uma indemnização pelos prejuízos causados á sua saúde mental e física pelo erro cometido por eles. – Num impulso de alegria e eu acreditava piamente neste médico, abracei-o de coração e só disse: - obrigada por tudo Dr. – Não se esqueça que a partir de agora é minha doente com saúde e quero vela de vez em quando na consulta. A partir de agora quero que comece a diminuir os comprimidos dos que estiver a tomar um, toma só metade, dos que estiver a tomar dois, toma só um, e assim por diante. Se não conseguir diminuir agora essas doses nunca mais se vê livre dos comprimidos. Prometo. Você foi um anjo que apareceu na minha vida, obrigada.

Quando o Jamm chegou a casa foi uma alegria. – Hoje vamos festejar. Vamos comer fora. – Minha filha que não sabia do que estávamos a falar pediu explicações para tanta alegria que não era normal ultimamente em casa. Enquanto ia-mos para o restaurante lá lhe foi explicando á sua maneira e de maneira a que ela entendesse nos seus 9 anitos sem a assustar. A resposta dela prontamente foi: - quer dizer eu podia ficar sem mãe e vocês nunca me disseram nada. Isto é um assunto muito sério, eu preciso muito ainda de vocês, ainda sou uma criança. Agora já não confio em vocês! Mas quando nos sentamos na marisqueira e lhe dissemos que podia pedir o que quisesse, depressa esqueceu tudo para a seguir dizer. – Vocês são os melhores pais do mundo. Eu á pouco não estava a falar a sério quando disse que não confiava mais em vocês. Ali ficou encerrado o episódio do segundo erro medico e eu a pouco e pouco voltei á minha vida normal com todas as alterações físicas advindas destes enganos clínicos.

Como eu não sou de meios-termos, falei com jamm e disse-lhe, vais ter que paciência comigo durante uns tempos o médico mandou-me começar a diminuir a medicação, tenho que me ver livre de tanto comprimido.

Só que a partir desse dia deixei todos os comprimidos excepto o da tiróide e do tratamento hormonal. Se até aí eu já não andava bem, imaginem o que foi, retirar tudo de uma vez. Eram comprimidos para dormir, para ansiedade, para depressão, para o sistema nervoso, para compensação hormonal, para hipotiroidismo, só fiquei com os dois últimos.
A partir desse dia fiz uma desintoxicação que o meu organismo se ressentiu e muito. Durante a noite sentia a cama abanar e perguntava ao jamm, se ele sentia a cama abanar. Ele disse que não, eu logo vi que era o meu corpo a reagir á privação dos comprimidos, nessa altura jamm não sabia que eu tinha cortado todos os comprimidos ao mesmo tempo.

De dia para dia era pior. Estive 4 dias sem dormir, de noite levantava-me a fazer coisas, de dia ia para a rua para não pensar nos sintomas. Ao fim de 15 dias estava exausta, comecei a emagrecer cai num desalento que não era capaz de fazer nada, ao ponto do jamm me dizer que tinha que voltar aos comprimidos. Foi aí que eu lhe disse que tinha cortado com todos, ele ficou louco comigo. Alegou que isto não era bom nem para ele nem para a filha nem para mim e que eu devia ser louca por cortar tudo de uma vez. Já tinham passado 15 dias e o pior tinha passado. Aleguei que não voltava aos comprimidos, se voltasse atrás naquela altura nunca mais teria forças para os deixar e o pior, eu já tinha passado. Naquela noite jamm, foi dormir para outro quarto para me deixar descansar, era o primeiro dia desde que tinha deixado os comprimidos que o meu corpo me pedia cama e tinha sono. Deleguei todas as tarefas para ela. Ouvia ele dizer para a filha, não faças barulho hoje que a mãe está muito cansada e precisa dormir. – Ela perguntou: - pai, a mãe, vai morrer? – Não. Só está cansada, amanha ela já está bem. Assim foi a partir desses 15 dias fui dormindo melhor, comecei a fazer as minhas coisas e eu ia-me desintoxicando e meu organismo adaptando a nova realidade dos meus ovários parados.

Quando regressei ao medido ele notou em mim uma melhor disposição e perguntou: - já começou a diminuir a medicação. – Não Dr. Já me vi livre dela. Desde o ultimo dia que falou comigo no Egas Moniz, cortei toda a medicação excepto o que me aconselhou a não deixar. Ele olhou para mim, levantou-se da cadeira, deu-me um aperto de mão de parabéns. Eu sabia que era capaz, nunca pensei que fosse assim tão depressa. Na minha estimativa dava-lhe seis meses. Acredito que não foi nada fácil. Você é uma guerreira, depois de tudo por que passou fazer essa façanha é preciso coragem. – Pois, mas se eu tinha que deixar, então deixei logo de vez, o doutor não pode imaginar o que foi, desde por o marido fora do quarto até minha filha achar que eu ia morrer.
Passei por tudo. Mas hoje sinto-me bem para recomeçar minha nova vida. Ali ele achou melhor que na próxima consulta levasse o jamm comigo para ele lhe explicar que mudanças se estavam a dar no meu organismo, essa informação era para os dois…
Minha vida foi normalizando aos poucos. Continuei a fazer férias pela Europa com muitas peripécias pelo meio já com minha filha a conhecer outra realidade, que por estas bandas ainda  não existiam. Mas isso é outro capitulo..

Meus problemas com os médicos não acabam aqui… A odisseia continuam no próximo capitulo…
Por: Joaquina
Lx. 27/02/2011

Monday, February 21, 2011

MINHA PROVA DE VIDA - 1ª parte

A MAIS DOLOROSA DAS MINHAS EXPERIENCIAS.
NÃO SEI, NEM POSSO DESCREVER,
O QUE SE PASSOU, DENTRO DA MINHA CABEÇA,
NESTE PERIODO DE HOSPITALIZAÇÃO
1ª parte tinha eu 33 anos
Ano 1983 pior ano da minha vida
O que aqui vou contar tem como intenção, avisar, informar, em especial, alguém que possa estar a passar pela situação que eu passei quando tinha 33 anos. Só espero que esta informação
Possa vir a ser útil a alguém. Se assim for, já valeu a pena ter passado o que passei, se conseguir com o meu exemplo ajudar outra pessoa.

Depois de todo as lutas iniciais, Já tinha comprado uma casa nova a vida financeira tinha melhorado, tinha-me conciliado com Jamm, sentia que tudo estava bem na minha vida. Sentia-me feliz.
Certo dia ao tomar banho reparei que o meu mamilos esquerdo deitava um liquido esbranquiçado. Entrei logo ali em pânico.
Jamm, estava ausente, num curso a 300 km distancia, achei por bem não o estar a desinquietar, afinal era um problema meu e seria eu que teria que passar por aquilo. Resolvi não contar logo.
Não podia falar com ninguém e sempre tive como característica, guardar tudo para mim. No entanto estava consciente da gravidade do problema. Quando ele chegou no fim-de-semana notou logo que algo de grave se passava. Quando lhe contei
O mundo desabou sobre ele. Nessa altura ele estava disposto a dar a sua vida por mim. Foi a prova mais bonita que ele me podia dar naquele momento. Sempre esteve do meu lado e sofreu tanto ou mais do que eu. Nunca me senti tão amada como naquele tempo em que tive que fazer um percurso terapêutico tão doloroso.

Tinha tido uma gravidez seguida, minha filha tinha nascido de parto normal e eu sentia-me lindamente. Mas havia um senão! Há sete anos que não ia a uma consulta de ginecologia.

Marquei consulta, tudo decorreu com normalidade com a médica a dizer-me que não via nada de especial no meu peito mas mesmo assim ia pedir-me uma mamografia. Na consulta fez-me uma colheita vaginal normalíssima.
Qual não foi o meu pavor quando abri o envelope e tinha como resultado CARCINOMA (CANCRO DO COLO DO ÚTERO)
Liguei logo para a médica que me pediu para estar no consultório no dia seguinte que mesmo sem consulta me receberia em primeiro lugar. Encaminhou-me logo para uma amiga que trabalhava em oncologia, ela própria falou com ela e no dia seguinte lá estava eu, com o resultado do exame.
A partir daí foi um corre, corre de um lado para o outro. Fiz todos os exames possíveis e imaginários. Toda a gente me procurava porque fazia aquele, ou outro exame. Via nelas compaixão por eu ser tão jovem. Devo aqui esclarecer que aquele tipo de carcinoma era dos mais difíceis de detectar e de curar, poucas pessoas sobreviviam a esse monstro: na minha cabeça algo me dizia, que ali algo não combinava. Por outro lado tinha uma filha com nove anos! Nunca se apercebeu da minha luta. Tudo fiz para que o seu dia-a-dia fosse o mais normal possível.
Logo nessa consulta em oncologia fiz um exame muito doloroso, ligaram-me a uma máquina com duas agulhas espetadas nos pés a um vaso linfático, para saber se o carcinoma já se teria espalhado pelo corpo todo, ou se ainda era apenas local. Lembro que a média de vida de alguém a quem fosse descoberto este tipo de carcinoma era de apenas seis meses, no máximo um ano. Depois do exame veio uma enfermeira dar-me os parabéns por conseguir fazer o exame completo porque a maioria não conseguia faze-lo por ser tão doloroso. Ainda hoje tenho as marcas nos meus pés para me lembrar que estou viva e posso hoje recordar o triste episódio.
Quando chegou o resultado do exame aos vasos linfáticos, era negativo, isso já era um grande alívio, mas o diagnóstico do carcinoma mantinha-se. Fui a oncologia a nova consulta. Novamente me sujeitei a uma biopsia alargada (raspagem de todo o útero), com anestesia geral, como já estava anestesiada, aproveitaram para me porem agulhas de rádio no colo do útero.
Levaram-me para uma enfermaria com quatro camas com pessoas com idades compreendidas entre os 60 e os 80 anos de idade. Eu tinha muito mau despertar da anestesia e não avisei.
Quando comecei acordar, deveriam ser umas 20 horas e logo me levantei da cama. As senhoras de idade tentaram impedir meu acto, todas tocaram as respectivas campainhas, mas não apareceu ninguém.

Despi a bata que me tinham vestido, saí para o corredor e só dizia que tinha que ir para casa porque tinha lá a minha filha.
Até que alguém, me viu nessa figura no corredor e foi chamar uma enfermeira. A seguir a enfermeira teve que ir procurar um médico, e lá me levaram novamente para a minha cama e desta vez amarraram-me com correias á cama depois de me terem dado uma injecção de cavalo para dormir e só acordei no outro dia pelas 9 horas da manha. Quando acordei reparei que a cama estava virada ao contrário e meus olhos virados para a parede onde existia um letreiro com o nº da sala e da cama, nessa altura estava uma enfermeira sentada junto á minha cama, que quando viu que eu estava acordar perguntou: - sabe onde está. Consegue ler aquele letreiro? O que ele diz? Aos poucos fui acordando e ligando os sentidos novamente. Perguntei: - porque estou eu amarrada á cama. Minha filha em que trabalho nos meteu ontem por pouco não morreu. já viu em que carga de trabalhos nos metia a todos. Mas porquê? Levantou-se com 8 agulhas espetadas no colo do útero se caísse, espetava as agulhas nos intestinos e noutros órgãos internos e podia morrer. – Mas não morri, ainda não chegou a minha vez. Agora por favor pode me retirar as correias por favor. – Promete que se porta bem? – Prometo. Tenho muita fome. Sabe não se pode nem sentar tenho que ser eu a dar-lhe a comida, entende isso? Sente-se já bem acordada? Ontem chamou tanto pela sua filha que nos deixou a chorar. Sua marota o que nos ia arranjando a nós e a si também. Trouxeram-me um caldo líquido que não me tirou a sede muito menos a fome e uma maça reineta assada. Contestei que a comida era muito pouca e continuava com fome. Ela com pena de mim lá explicou que eu estava com uma algália e não podia nem comer nem beber muito por não me poder levantar para ir aos sanitários. Aguentei, assim dois dias. Quando me retiraram as agulhas, deram-me alta.
Marcaram-me nova consulta para ir saber os resultados da biopsia alargada.

 Sofri horrores, mas eu só pensava na minha filha que precisava de mim. Foi uma época de grande sofrimento, e confusão mental e como podem imaginar ninguém está preparada para morrer aos 33 anos.

Passadas duas semanas chega o diagnóstico da biopsia alargada.
Resultado negativo. Para mim foi um alívio, para a classe médica não foi. Nova consulta, marcam-me internamento em oncologia.
A única satisfação que me deram: - Todos os exames que fez estão negativos, mas dado a sua idade e haver a possibilidade de ficar uma só célula que seja isolada no seu organismo, nós por precaução, vamos tirar-lhe o útero e os ovários. Irá receber em casa um postal com a data em que deve apresentar-se para esse acto cirúrgico. Fiquei ainda mais confusa. Afinal tinha passado por tudo aquilo e não tinha nada e ainda por cima vão-me tirar o útero e os ovários, algo dentro de mim não batia certo.

Durante esse percurso andei sempre sozinha de consulta em consulta, de exame em exame, até para oncologia fui sozinha. Meu marido estava num curso longe de casa e não podia fazer nada por mim. Minha filha estava em casa de uma amiga e para ela eu estava de férias e logo regressaria.

Regressei a casa por um lado feliz, por outro com muitas duvidas.
Peguei no 1º diagnóstico fui ver quem tinha assinado o relatório. Peguei no telefone e liguei para casa do médico que por sinal era o dono do laboratório.
Pedi desculpa pela hora tardia, deviam ser umas 10 horas da noite, expliquei-lhe que tinha saído naquela tarde de oncologia e relatei-lhe toda a minha história, e o que me preocupava mais era ter que ser operada e não poder ter mais filhos, quando eu queria ainda ter mais um filho. Foi muito gentil comigo e mandou-me estar no laboratório pelas 10hoo da manhã para falar comigo pessoalmente. Nessa noite não consegui dormir. Tinha tantas dúvidas na minha cabeça, mas o meu lado positivo sempre me disse que aquilo não podia ser verdadeiro.
No dia seguinte, recebeu-me reviu as lâminas do seu laboratório,
Meteu-as dentro de um envelope com um cartão dirigido ao director dos serviços de patologia de oncologia e disse: - entregue só este envelope nas mãos desta pessoa e diz que vai da minha parte que ele vai recebe-la, esse senhor foi meu aluno e não vai deixar de atender ao meu pedido.
A senhora é muito jovem, mas se ele lhe disser que tem ou teve
Acredite nele, se lhe disser que não tem nem nunca teve, pode confiar plenamente nele. Assim fiz. Esperei 3 horas enquanto ele reviu todas as lâminas do meu processo. Quando chegou ao pé de mim pediu muita desculpa pela demora, mas que tinha boas notícias para mim. – A senhora não tem, nem nunca teve carcinoma, isto deveu-se possivelmente a um erro de dactilografia. Aconselho a senhora a esclarecer isso agora com o laboratório Dr. mas eu já levei rádio, segundo me explicaram os meus ovários vão secar. – O quê? Quem lhe fez isso? Se a biopsia alargada feita aqui no instituto dá negativa? Nos mesmo dia que me fizeram a biopsia puseram-me o rádio. – Não acredito! Peço-lhe imensa desculpa, mas a medicina errou demais consigo. Vou saber quem foi a equipa que fez semelhante crime. Mas infelizmente o que está feito não se pode desfazer. Terá que ir á sua ginecologista para lhe fazer tratamentos hormonais para não lhe deixarem parar os ovários.
Saí dali feliz, aliviada, mas também muito revoltada.
Minha epopeia não pará por aqui.

Com a informação obtida no instituto, dirijo-me novamente ao laboratório, mas uma vez contei a minha história, andava eu nisto havia uns 3 meses. Depois de várias reuniões e vários pedidos de desculpas lá chegaram a triste conclusão.

Todos os exames do laboratório tinham um número, ao meu nº deu o diagnóstico do exame de outra pessoa e á outras pessoas deram-lhe o meu.

Mas a minha luta continua.
Os erros médicos não acabaram aqui.
O que veio a seguir, deixou-me sempre de pé atrás com diagnósticos médicos.
Vale a pena seguir a fase seguinte.
Por hoje já chega, de recordações dolorosas.
Agora durante um tempo vou voltar á poesia,
que tem o poder de me lavar a alma.
Meus leitores (as), não desistam deste blog,
porque ainda tenho muito para contar.
Obrigada a todos os que me seguem.
Por: Joaquina

17/02/2011

Friday, February 11, 2011

ALBERGUES JUVENTUDE NOS ANOS 70

NOSSA NOITE NO MEIO DO NADA
TEMENDO SER LEVADOS POR EXTRATERRESTRES

Continuando com minhas aventuras de juventude.
Quando conheci o Jam, nenhum dos dois tinha dinheiro, mas tínhamos muita vontade de viajar. Começamos por albergues da juventude, era nessa altura a maneira mais barata e fácil de viajar. Quantas peripécias, tenho para contar desse tempo.
São tempos que nunca se esquecem pela conjectura em como se passaram.
Muito jovens e cheios de aventuras, dormíamos separados, nos albergues. Ele nas camaratas de para homens, eu nas das mulheres. Foi nesse ambiente que pela primeira vez me vi confrontada com a minha nudez e a nudez de outras jovens dos mais distantes Países. O levantar era as 7 horas da manha o refeitório abria às 8 horas, por isso só tínhamos uma hora para tomar banho arrumar as nossas coisas que o albergue fechava às 10 horas da manha e tínhamos que levar todos os nossos pertences, e tomar o pequeno-almoço até às 10 horas.
 De manha era uma correria para os banhos, todas as raparigas pulavam e corriam nuas, para chegar ao banho. Eu, sendo portuguesa, com uma educação muito tradicional, fazia tudo para tapar minhas partes íntimas por vergonha. As outras riam e tentavam falar comigo mas eu não as compreendia.
Todas as manhas eram uma confusão, o pequeno-almoço era servido entre as 8 horas e as dez. Jam, sempre gostou de se deitar tarde e dormir mais da parte da manha, isso levou-o muitas vezes a ficar sem pequeno-almoço, ou chegar muito em cima da hora quando o refeitório estava a fechar. Comia que nem um desalmado, com o corpo ainda em crescimento e sabendo que seria a única refeição quente e decente do dia, chegava ao ponto que já tinha vergonha de pedir mais comida. Então mandava-me a mim, pedir comida para ele. Chegava a comer 8 a 10 carcaças e 3 ou 4 chávenas de leite ao ponto de até eu já sentir vergonha de ir buscar tanta comida.
Durante o dia andávamos quilómetros a pé, por cidades como Amesterdão em que tudo era novidade, isto á 40 anos atrás. Durante o dia íamos aos supermercados comprar fruta iogurtes e leite pão e queijo. Fazíamos nossas refeições diurnas, nos jardins públicos. Era tudo uma aventura.
Certo dia aceitamos uma boleia de quatro rapazes árabes, logo que entramos no carro não nos sentimos nada seguros. Passados uns 3 quilómetros estava uma jovem sentada á beira da estrada á boleia. Eles repararam na jovem e passados mais uns 2 quilómetros pararam no meio do nada dizendo que se tinham esquecido de algo e que tinham que voltar atrás e teriam que nos deixar ali, que não seria difícil conseguir outra boleia. Jam, ficou feliz e aliviado por se ver livre daqueles quatro jovens que tinham voltado atrás para dar boleia á outra jovem. Como nós tivemos pena dela, mas nada podíamos fazer. Estava anoitecer e nós algures num lugar ermo. Sem sabermos onde estávamos, começamos a olhar para todos os lados e só sabíamos que estávamos perdidos algures no meio da França. De repente olhamos ao longe e vimos umas árvores no meio de uma planície. Decidimos ir para lá passar a noite debaixo dessas arvores. Montamos uma pequena tenda de dois lugares que levávamos sempre connosco. Sem jantar e já de noite resolvemos deitar-nos. Eu como sempre tinha medo de tudo, Jam, sempre seguro de si, acalmava-me. Dizia-me que era um lugar seguro, ninguém nos podia ver de lado nenhum. Depois de adormecermos já muito tarde, acorda-mos já o sol ia alto e quando olhei para a tenda por cima de nós vi um vulto enorme, ou mais uma sombra. Acordei-o, agarrada a ele, cheia de medo e disse-lhe: E se são extraterrestres? Eles podem levar-nos daqui e ninguém mais saberá de nós! Tem juízo. Ninguém nos tinha visto entrar ali, se desaparecêssemos, quem daria falta de nós? Nossa filhinha estava ao cuidado de uma nossa amiga. Nessa altura eu só falava uma vez por semana com minha amiga Rosa. Num impulso de homem, que já tinha ido á guerra ele abriu o fecho da tenda e deitou a cabeça de fora e começou a rir-se. Chamou, - anda ver, os teus extraterrestres? Era então uma vaca que curiosa, nunca deveria ter vista uma tenda no seu prado, de pastagem, cheirava a tenda, para decifrar aquele mistério. Quando nos ouviu falar, ficou mais assustada do que nós e afastou-se á pressa indo pastar para junto das demais. Deveriam ser umas 20 vacas num lameiro a pastar descontraídas. Passado o susto, fartamo-nos de rir desse episódio. Corria ali perto, um pequeno regato, onde as vacas iam beber. Não havendo outro tipo de água fizemos como as vacas. Coamos a água com um pano e bebemos, lavamo-nos nessa mesma água. Nunca me esqueço, que como não tínhamos jantado e a fome era muita o nosso pequeno-almoço foi: sardinhas em lata com bolachas de água e sal… 
Saímos dali mais satisfeitos. Voltamos á estrada e sentamo-nos á espera de boleia. Passada meia hora apareceu um jovem fuzileiro que nos deu outra boleia ate á cidade mais próxima. Ele foi almoçar, combinou a hora para estarmos junto do carro dele, que nos levaria para a cidade onde queríamos ficar. Fomos a um supermercado e compramos metade de um frango, um pão, uma coca-cola, duas bananas e almoçamos num belo jardim com flores de todas as cores. Foi o jardim mais bonito que vi até hoje, ainda tenho uma foto como recordação.

Entre boleias, encontramos de tudo, desde boleias em carros de gama alta, até furgonetas de fero velho, ou carros que pareciam casas ambulantes com todo o tipo de lixo.
Nunca nos sentimos em perigo. Até que um dia aceitamos boleia de um camionista de um TIR que nos levou para uma paragem de outros tires e apercebemo-nos que corríamos perigo

Saímos a correr do camião, seguindo o seu instinto Jam disse-me: - este tipo de pessoas não é de fiar, vamos embora daqui sem ele ver. Corremos para fora do parque escondemo-nos. Quando ele se foi embora, nós ficamos em segurança, saímos daquele lugar. Andamos a pé até chegar a uma terra onde passava um comboio que nos levou dali para fora. Mas nós estávamos unidos por um poder que ninguém podia vencer, assim a intuição de Jam, vendo o perigo para os dois, a melhor solução foi ir embora daquele lugar.

Foi a boleia mais traumatizante que tive. Nunca mais pedimos nem aceitamos boleia de camiões TIRES, acrescento ainda que foi a primeira e ultima boleia nesse tipo de carros.

Mas as nossas viagens na maioria das vezes era agradável e tenho episódios inesquecíveis.
Habituados a termos intimidade sempre que queríamos, durante as férias o desejo não escolhia nem hora nem local.
Certa vez estávamos em Bruxelas, ele entendeu que tinha que me ter a qualquer preço porque só o facto de eu lhe dar a mão fazia nascer nele um desejo incontrolável. Passamos então por um prédio que andava em obras, como era domingo, não estavam a trabalhar. Entramos lá dentro, á procura de um lugar seguro, para satisfazer aquele desejo louco.
De repente, salta de lá um cão que guardava a obra. Não sei quem corria mais se o cão se nós. Nossos corações dispararam, até nos vermos a salvo.
Mas a ideia dele não passou nem com o susto do cão. Passamos mais adiante por um prédio abandonado, enquanto eu fiquei cá fora sempre com medo do desconhecido, ele entrou e foi investigar se teria gente dentro, algum mendigo, a dormir ou outro tipo de coisa que nos pudesse apanhar aos dois com a boca na botija.
Passados 15 minutos chega ele todo contente, deu-me a mão e sem medo dirigiu-me para um terceiro andar. È aqui o melhor lugar, não tenhas medo, estamos completamente sozinhos. Despimos nossos casacos, colocamo-los no chão por cima de vidros partidos, aí os dois esquecemos tudo. Entregamo-nos a um desejo louco e como tudo o que é proibido é apetecido, perdemos a noção do tempo, nossos corpos ficaram exaustos, mas satisfeitos. Entramos lá de dia e quando saímos era já noite. Ninguém nos viu entrar, nem sair e naquele prédio abandonado ficou a mais bonita memória da nossa juventude que ainda hoje povoa minhas lembranças.

OS MEUS MELHORES MOMENTOS
PASSADOS NUM PRÉDIO ABANDONADO


AS AVENTURAS PELA EUROPA DOS ANOS 70


 PRAIA DA NORMANDIA

O FAMOSO BUNKER

AS AVENTURAS PELAS PRAIAS DA NORMANDIA

Continuando na fase dos albergues. Ainda viajávamos sozinhos os dois, quando vivemos as maiores aventuras que nunca poderei esquecer. Jam, homem com grande preparação física, tinha estudado num colégio interno militar, com muito rigor e disciplina. Levou-me de mão dada por seus sonhos de jovem, pronto e com vontade de descobrir o mundo. Os dois trabalhávamos, mas só tínhamos um mês de férias, para nos aventurarmos por essa Europa fora. Mesmo assim, ele levava meses a planear as férias, que eram sempre, repletas de momentos imprevisíveis. No ano de 1975 decidimos, ir conhecer, a rota da segunda guerra mundial. Em especial o desembarque da Normandia. Como ele era militar de carreira tinha um grande interesse em assuntos históricos, sobre a segunda guerra mundial. Visitamos então as praias e todo o percurso do desembarque na Normandia.

Um dia começou a ficar muito escuro ele logo aproveitou para passar uma noite romântica numa praia Normandia.
Fomos para umas dunas bastantes profundas e ali fizemos a cama com um saco cama que transportávamos sempre numa mochila para a eventualidade de termos que dormir ao ar livre. Aquela hora ainda havia gente na praia e começavam a chegar pescadores, mas isso não impediu jam de concretizar sua grande fantasia. Fazer amor nas dunas da praia na Normandia. Eu com medo que alguém nos visse, ele completamente á vontade, sentindo-se no paraíso. Como a noite ficou fria lá me levou para um Bunker dos Alemães que existia na praia, já afastado, de todo o movimento da praia. Ali mais aconchegada e sem frio, com o corpo dele todo enroscado no meu, fez tudo para que eu também usufruísse daquele momento só nosso. Mais uma vez foi uma noite inesquecível. Acordamos tarde já com os raios de sol a entrarem no bunker. Tiramos umas fotos em cima do bunker para nunca mais esquecer-mos o lugar onde os dois nos sentimos tão livres.
Depois da noite passada na praia, continuamos nela. Jam, era um bom nadador e desafiou-me a entrar com ele, gostaria de realizar ali dentro de agua nova fantasia. Assim agarrados como umas lapas, fizemos amor com gosto a agua salgada como que o mundo fosse só nosso e nos pertencesse por completo A idade é uma coisa curiosa, não vemos perigos nos nossos actos, impensados. Tudo era muito belo.
Eu com um corpo de sereia, ele com um corpo de Apolo, era a mistura perfeita para se dar uma explosão em qualquer lugar. Sempre que regressávamos a Portugal trazíamos sempre belas memórias. Hoje entendo que as nossas férias eram o concretizar de muitas fantasias que não podíamos ter em casa nem no país, por falta de tempo e de oportunidade também.
Lembro-me de outro momento de grande ternura, passado na Holanda.
Era um dia muito chuvoso e frio. Eu como sempre só levava roupa leve e curta para não pesar muito.
Mas esse dia foi demais, eu tinha tanto frio que comecei a chorar e só queria regressar a casa.
A melhor maneira que ele arranjou, para me consolar foi subirmos umas escadas de uma casa semi abandonada e mandou-me sentar em cima das pernas dele, eu usava nesse dia uma mini-saia sem meias. Tirou o seu casaco ficando só com uma camisa de manga curta e tapou-me as pernas para eu poder aquecer minhas pernas, ficando ele a tremer de frio. Depressa o frio lhe passou quando reparou que meu corpo semi nu estava em cima do colo dele. Percorreu-o com as suas grandes mãos até chegar á parte que ele mais gostava. Logo eu senti um arrepio que não era de frio. – Já sei como acabar com esse teu frio.
Com as mãos sem parar massajou meu corpo nu e de repente o frio foi-se. Momentos depois, sem nos importarmos, com quem passasse na rua, acariciamo-nos naquela escada. Eu sentada nas pernas dele e o casaco a tapar-me o corpo por detrás.
Como foi bom aquele momento de prazer misturado com medo de alguém chamar a polícia, mas naqueles momentos nada interessava a não ser a entrega.
Passada uma hora saímos dali e fomos a um centro comercial comprar umas meias collant e logo me senti mais reconfortada.
Noutra altura estávamos no alberguem em Amesterdão no jardim Van del Parque. Naquela época havia muito pouca gente, logo o Jam, imaginou que poderia ser bom fechar-nos numa casa de banho e vivermos mais uns momentos de loura proibida. Combinamos que eu entraria primeiro e passados dez minutos ele bateria á porta com um determinado sinal para eu saber que era ele. Assim foi. Despimo-nos com loucura e entregamo-nos por completo, havia já uma semana que não fazíamos amor e de tão proibido que foi porque poderíamos ser expulsos do parque, os dois atingimos o maior clímax de de sempre. A juventude é muito louca e inconsciente. Por isso quando eu vejo hoje certos comportamentos que até eu acho demais, tento sempre lembrar-me daquilo que eu fui capaz de fazer, quebrando todas as regras de bom moral e costumes da época. Só que eu só tive o meu parceiro durante a vida e o que fizemos ficou sempre connosco, os jovens de agora fazem por fazer, não se prendem em emoções nem em recordações. Hoje é tudo muito descartável. Na minha época, as coisas era diferentes, embora nos dois fossemos muito adiantadas para a época. Nunca nos casamos, mas sempre nos respeitamos, talvez por termos vivido tantas aventuras. Hoje passados quarenta anos ainda fazemos aventuras talvez impróprias para a nossa idade.
Sempre nos sentimos á frente do nosso tempo, hoje estamos também a frente de muita gente. Somos seres adultos com maturidade, descobrimos a cultura, a arte a fotografia, literatura e a poesia, que nos alimenta a alma em momentos menos bons. Por hoje fico por aqui meus amigos, acho que até já contei demais. Mas tudo o que aqui conto foi vivido por nós dois com grande intensidade e loucura própria para a idade que tínhamos.

PEDAÇOS DE LOUCURA


Friday, February 4, 2011

NOSSO COMEÇO DE VIDA EM LISBOA


NOSSA PRIMEIRA FOTO JUNTOS

Quando cheguei do Equador, trazia comigo muita juventude e algum reforço financeiro aliado a uma força de vontade que era inata em mim.
Cheguei a Lisboa, logo a seguir deu-se o 25 de Abril. Esse ano revolucionou de tal maneira, minha vida, que nunca mais eu seria a mesma.
Com uma revolução que eu não tinha ideia nenhuma, do que seria uma revolução, vi-me de repente envolvida num clima de euforia do qual eu não me consegui inserir muito bem.

Estava na empresa onde me mantive por 26 anos.

Tudo era novidade para mim. Com o 25 de Abril, fui admitida nos quadros da empresa de telecomunicações onde trabalhei e dei o melhor de mim.
Enquanto a maioria das colegas iam para manifestações eu ficava no meu posto de trabalho, por não gostar muito de grandes reboliços. Assim acabei por me sentir mais útil.

Acabara de conhecer o grande amor da minha vida, que como eu éramos, livres, solteiros, sem amarras, mas muito carentes, depressa nossas vidas se uniram, de tal forma que não passávamos mais um sem o outro.

Claro que pela lei normal das coisas, logo se fez anunciar nossa filha, vinda de outra dimensão para nos obrigar a crescer e amar incondicionalmente.
Nossos sonhos era muitos e a pouco e pouco todos eles se iriam concretizar.

Meu companheiro que tinha estudado num colégio interno estava faminto de liberdade e amor.
Quando decidimos morar juntos o seu maior sonho era viajar, conhecer mundo.
No inicio não foi nada fácil. O dinheiro era pouco e os sonhos eram muitos.
Com uma filha pequena no infantário e nós os dois a trabalhar durante o dia e estudar á noite, não nos sobrava tempo nem para namorar nem para dar aquela atenção necessária que uma criança precisa.
Decidimos então que a filha estaria sempre em primeiro lugar, a casa teria que esperar por tempo disponível para ser arrumada.

Assim se passaram os primeiros cinco anos de vida em comum, numa correria, mas sempre com algum tempo, para brincar com ela e para desfrutarmos dos nossos corpos. Nossa filha era tudo para nós. Ela era nosso mundo, nossa força para viver.

Desde sempre fizemos questão de fazermos férias fora do País.
Começamos por andar á boleia por essa Europa fora. Passamos grandes sustos, mas também muitas aventuras inesquecíveis que ainda hoje recordo com carinho.

Uma das mais engraçadas vou contar-vos: No ano de 1977 tinha minha filha dois anos, deixamo-la com uma amiga e fomos de comboio até Espanha, a partir daí fomos á boleia. Passamos muitas horas com uma mochila às costas e outras tantas horas á espera de uma boleia. Bons tempos esses! que ainda se podia andar com segurança á boleia. Chegamos á Holanda de comboio, certo dia á uma hora da manhã. Como estava tudo fechado, resolvemos ir dormir num saco cama os dois num jardim público debaixo de uns arbustos. Eu cheia de medo meu companheiro mais tranquilo, disse-me: - enquanto estiveres comigo, estás segura, nada de mal te vai acontecer. Para alguém tocar em ti tem primeiro que se haver comigo. Dorme descansada que eu fico a vigiar por ti. Só que lá para meio da noite começamos a ouvir um pequeno barulho que não conseguimos identificar, os dois já assustados, ele levantou-se deu uma volta pelo jardim e não viu ninguém. Tinhamos conosco uma pequena faca que servia para fazer sanduíches e para descascar fruta, logo ele a enterrou na terra ao lado dele, no caso de vir alguém para nos fazer mal. Hoje não sei do que senti mais medo, se foi do barulho se foi de ver a faca tão perto de mim. O que é certo é que os dois acabamos por adormecer juntinhos dentro do mesmo saco cama. Ao acordar reparamos que andava um gato de volta da nossa mochila que continha alguma comida, e que tal como nós dormia no jardim.
Foi divertido depois de nos termos dado conta do medo que tivemos de um gato que só tinha fome e queria comer. Não sei quem teve mais medo, se fui eu, se foi o pobre gato… nessa altura ficávamos em albergues da juventude, onde os homens dormiam em camaratas separadas das mulheres. Nessa altura era a maneira mais barata de fazer férias.

Depois de estabilizarmos nossas carreiras vieram em seguida as viagens planeadas. Durante dois anos andamos á boleia. Ao terceiro ano já fomos com o nosso primeiro carrito que era uma Renault 4L. Era um carro comprado em segunda mão, mas portou-se sempre muito bem. Durante uns anos, levou-nos por essa Europa fora, sempre carregado, com uma tenda e tudo o mais necessário para fazer um mês de férias.